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Em cada rosto, uma expressão

Em cada peito, um coração

Que não se repete

Que não se copia

Que não se desvenda

Único

Raro

Em cada lágrima, uma dor

Em cada silêncio que guardou

Em cada pedido, um clamor

Único

Mudo

Mas,

Em cada manhã esperança

Que alguém se atreva à façanha

De num coração que é deserto

Um amor lhe venha habitar

Desvendar

Revelar

Inteirar

Lice

Desperdício

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O dia começa e termina.

A vida também.

E o que sobra?

O que transborda?

São horas contadas. Perdidas?

O milagre do agora se esconde na rotina que fadiga.

Mas, a vista é turva.

Apegada ao desnecessário.

Esquecida.

Desperdiça.

Erra querendo acertar.

Machuca querendo amar.

Perde tempo. Perde a força. Perde a alma.

E o que resta?

 

 

 

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos..” Drummond

 

Mais

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Há muito mais… do que só as 24 horas do dia.
Há muito mais saudade do que melancolia. Saudade que combina o antigo com o sonhado.E sonho não deveria combinar com ilusão.
Há muito mais carinho do que tristeza. E com o carinho que combina com o sonho, que combina com a saudade… há sempre muito mais.

Há muito mais do que uma comunidade no orkut tão antigo. Há sentimentos, esperanças e histórias. E houve o encontro. Há então, muito mais alegria, encantamento e expectativa. Quantas paixões descobertas, quantos companheiros declarados. E depois de tanto tempo… descobrimos que há muito mais do que só o pequeno príncipe entre nós.

Há muito mais do que Alice. Há Luiza, Rebeca, Mauri, Renata…

Há matizes, cores envolvidas que fazem muito mais do que só arte, música e poesia e assim, há sempre muito mais.

Há sempre muito mais do que a palavra descreve. Há o que só o silêncio percebe, só o olhar captura, só a alma concebe.

Há o amor. E esse sim, só ele basta. Não é preciso nada mais.

A Pietà de Michelangelo

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“Madonna” bela de Michelangelo, estás naquela capela da basílica de São Pedro, e cada vez que te olho pareces mais bela. Passam-se dias, anos, séculos, e homens do mundo inteiro e de todas as épocas acorrem para te ver e tu deixas no espírito deles algo de sublime e suave. Dás a quem te admira uma sensação de felicidade: parece que tocas o âmago de toda alma humana, e este raio celeste, que parte de ti, atinge o centro imortal do homem, de todo homem, de ontem, de hoje, de sempre. Quando as tragédias do viver humano me entristecem, quando a televisão com seus programas, me humaniza mas não me eleva, quando o jornal com as suas crônicas sempre iguais me deixa melancólica, quando a dor me atormenta a alma e o corpo, olho-te e me sinto aliviada.

Há em ti algo que não morre.

(…) Hoje, ao contemplar-te, “Madonna” bela, pensava: quão sublime e divino é o efeito de uma obra de arte. Testemunha a imortalidade da alma, porque se o objeto plasmado não morre, é arte justamente por ser imortal – isto é, não passa enquanto existir – quem te fez não pode morrer. Pareceu-me então que a arte se elevasse a alturas incalculáveis e a beleza fosse, assim como a verdade e a bondade, matéria-prima do reino celeste que nos espera, e tive a impressão de que, sem saber, os verdadeiros artistas têm uma missão apostólica.

(…) Em todo caso, basta que o artista plasme na obra a sua alma. E a alma do artista, ainda que seja ateu, é imortal.
A alma é imortal porque é “una”.  Por ser “una” não pode desfazer-se, dividir-se. E aqui está, acredito, a primeira causa da obra de arte.
Se o conteúdo da filosofia é a verdade, o conteúdo da arte é a beleza. E a beleza é harmonia, o que significa “altíssima unidade”. Ora, quem saberá compor em harmonia as cores e os elementos de uma pintura senão a alma do artista, que é “una”, à imagem de Deus que a criou?

É a alma humana, reflexo do céu,  que o artista transfunde na obra,  e nesta ‘criação’, fruto do seu gênio, o artista encontra uma segunda imortalidade: a primeira em si, como todo homem nascido nesta terra; a segunda nas suas obras, por meio das quais ele se doa à humanidade no decorrer dos séculos.

Talvez o artista seja quem mais se aproxima do santo.  Porque se o santo é aquele prodígio que sabe dar Deus ao mundo, o artista, de um certo modo, doa a criatura mais bela da terra: a alma humana.

Foi isto que meditei diante de ti, “Madonna” bela de Michelangelo. E como a ti falei, a ti faço um pedido: olha os artistas, que te contemplam cada dia, com olhar materno, e sacia esta sede de beleza que o mundo sente. Manda grandes artistas, mas plasma com eles grandes almas, que, com o seu esplendor, encaminhem os homens ao mais belo dentre os filhos dos homens, o teu doce Jesus.

Chiara Lubich

Pressa

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E bem já no finalzinho dessa sexta-feira exaustiva, os sentimentos que já me acompanham a alguns dias se tornaram como que um travesseiro que conforta o coração tumultuado de perguntas e silêncios.

É difícil organizar-se por dentro e às vezes por fora também quando a pressa é o tic-tac do compasso dos meus dias. Me perco na pressa. Relutei aceitar, mas fui vencida. Me assumi ausente de mim mesma pois não havia mais tempo de contemplar a avalanche de acontecimentos que me levavam a algum lugar que nem eu mesma sabia onde. Parei na pressa hoje. Na pressa, fui calma. Fui contemplação. Olhar demorado.

Quis ser eterninade. Para poder perceber que o meu processo se encaminha sem que eu perceba ou talvez sem que eu intervenha pois sou longe de mim. Desconhecida íntima. E as palavras (as minhas) não sabem ser velozes demais, talvez possuam a baianidade que necessita da pausa para ganhar o embalo e a entonação característica. Quanto mais pressa, mais silenciosa fico. Meus enigmas que não se revelam a mim. Exigem prioridade. Tempo de eternidade.

Parei.

Ao menos tento.

A pausa que  como laço de fita que se desenrola levemente,  se desfaz para que a beleza do presente se revele.

É isso e só. O resto é silêncio ainda. E encanto.

Ausências presentes


A ausência se sente. 

Em forma de dor, de saudade ou melancolia. 

No meu caso, em forma de presença. 

Sabe quando você sente a presença de alguém justamente na ausência da mesma? 

Mais ou menos assim. 

Eu sinto ausências em mim causadas por um tempo que não possuo mais, por uma pressa e cansaço contínuos.

Mas sinto também um coração povoado de presenças ausentes que reclamam o que é seu. 

Vou compreendendo que tudo é oportuno. E que nada volta ao seu lugar de origem.

Vou aprendendo que só é possível agarrar o agora. Compreender o mistério dos detalhes. Colher as miudezas dos pequenos grandes gestos .

Vou amando as minhas presenças ausentes quando mesmo na correria  e em fração de segundos consigo ser inteira. Me dar inteira. E acolhe-las inteiras e presentes. Mesmo que ausentes. 

O essencial SEMPRE é invisível aos olhos. 

Post dedicado à Rebeca, à Mauri, à Renata e à Luiza. E a todos aqueles que sabem que eu os queria bem mais perto de mim.

Lice 

Existe?

Eu quando sumo, ou penso demais ou não tenho tempo nem de me coçar. Mas nesse intervalo de escondimento produtivo aconteceram as duas coisas. Restou-me insônia, mal-humor e muita, muita dor de cabeça.

E lá estava eu no decorrer das horas, dos dias.. pensando sobre a felicidade. Será que você como eu já esqueceu do significado real dessa palavrinha utópica e profundamente incômoda que aturde alguns, senão a maioria dos dias dos pobres seres humanos? Eu me lembro de uma amiga certa vez me dizer: Eu não acredito em felicidade. Acredito em momentos felizes, prazerosos, inesquecíveis. Mas, felicidade? Ah.. essa não. E eu profundamente insatisfeita e quase revoltada tentava incutir na cabeça dela que felicidade existe sim. E que é real e que é possível.

Bem, o mundo muda, as mentes mudam e os corações.. mais ainda. Vasos de cristal quebram tão fácil quanto as nossas fantasias. Mas isso não quer dizer também que com seus cacos um lindo mosaico não possa vir a ser detalhadamente construído.

Longe de mim ser uma portadora melancólica de frustrações. Nem combina. Queria só dizer que redefini. Que aceitei. E que resolvi.

Redefini minha concepção de felicidade que não precisa de uma vida inteira para acontecer, mas somente do momento de agora. Redefini que quanto mais sou feliz, mais fico inventando desculpas pra tentar ser um pouco mais feliz ainda. E que isso é ingratidão. Ingratidão com tudo que a Força vital   que nos mantém vivos nos doa gratuitamente e nem sequer observamos, pelo egocentrismo doente que fomos desenvolvendo e alimentando como um câncer que vai nos matando silenciosamente.

Aceitei que sofrer é bom. Me faz descer dos picos da auto suficiência e me torna gente de carne e osso. E com isso me ajuda a encarar minhas verdades, traumas, medos e limites. Aceitei que não quero ideologia (segundo a concepção marxista, para os estudiosos não me matarem) para viver, como disse Cazuza. Por que motivos é o que não me faltam. Preciso agora é correr atrás da coragem.

Resolvi então. Resolvi que risco/apago um conceito deformado e reescrevo a minha história com alegria ruidosa, paixão viva e arrebatamento. Resolvi enxergar que meu mosaico está quase pronto, mesmo que existam algumas peças meio velhas ou foscas, mas logo logo colocarei bem ao lado novas pecinhas coloridas e bem brilhantes.

Resolvi, aceitei e finalmente enxerguei que já sou feliz. Já era há muito tempo.

Mas, felicidade? Ah… Essa eu não sei se existe.

 

Lice

Menos de mim

Então, fiz tudo que meu amor poderia fazer.
Madre Teresa de Calcutá


Que o cansaço não me roube a coragem de mais uma vez e de novo tentar. Que o silêncio que suplica fale sempre mais alto que o egoísmo que insiste em criar espaço e ser o dono do pedaço. E o amanhecer seja tão belo quanto o poente, mesmo quando for inverno na minha alma. E meus braços nunca apartem, do contrário, só alarguem. Que cada página virada aconteça por que não comporta tanta  felicidade e por isso gentilmente convidou a página seguinte para participar da sua alegria. E eu me comova mais vezes com a beleza dos gestos simples e me esqueça com naturalidade das indelicadezas. Que a fonte da minha inspiração sempre sejam os corações fortes que não desistem de lutar. Mas se eles desistirem, que eu possa carregá-los nos ombros. E que nunca, nunca os deixe no meio do caminho. Que as persianas do coração se abram para vislumbrar a fantástica chegada da primavera. E que eu seja desapegada com as folhas que já secas ficaram no chão. Que minha face enrusbeça de contentamento pelo sorriso inesperado e que sobretudo possa o sorriso ser retribuído com um ramalhete de amabilidades. Que eu me esqueça das minhas dores por saber e sentir com aquele que sofre mais do que eu. E que assim eu me lembre que ainda tenho incontáveis motivos para ser feliz. Que ser menos de mim me torne melhor para o outro. E então eu possa reconhecer nele o melhor de mim.

Lice



Ipê

Não é a primeira vez que em algum post faço referência ao Ipê, visto que descobri-me enamorada. Tudo o que colore, cabe aqui nesse cantinho. Recebi essa imagem da Ana, que me causou tanta admiração que considerei  egoísmo demais guardá-la só para mim.
Abaixo, vai uma poesia também cheia de beleza e delicadeza! Espero que gostem!

Quando flora o Ipê

Como é bonito ver o ipê que flora,
  Pelo cerrado no mês de agosto.
  Com tanta seca, tanto cinza exposto
  E tanta aridez pelo campo afora,
  
  O Amarelo-Roxo, abre, revigora
  Feito um doce alento a bater no rosto
  Como se Deus ali tivesse posto
  Um sopro de vida, num mundo que chora.
  
  Olhando o cerrado, penso agora em mim!
  Ando distorcido, ando tão descrente
  Como há muito tempo, não me via assim.
  
  Mas minha cabeça, esperançosa vê,
  Que no meio de tudo in-sis-ten-te-men-te
  …Flora lá bem longe…um pequenino ipê...
Jenário de Fátima

Lice

Distraída

“Se você não se distrai…”

Distraída!
Fitando o superficial.
Inverto os pólos, sem profundidade e atenta ao aparente.
Leviano.
Inconstante.

Relapsa, indisposta e impaciente com o imprescindível.
Sedenta do enlevo do imediato, sempre raso de detalhes pela pressa de fatos, atos.
Talvez cansaço só.
Cansaço de acreditar.
[Só sobram dívidas não sanadas. Promessas não cumpridas.]

Talvez ainda o olhar que me fita, me acalme.
E o riso me acalente.
E marquemos pra tomar um chá de esperança, sob a sombra de um ipê.
E eu me encante e me encontre.
Distraída com você.

Lice