Certo dia eu conversei com a Lua,

Pedi a ela que me ajudasse a encontrar

Um caminho certo pra seguir

Motivos e alegrias

De viver

A Lua respondeu com um brilho incomum

Que eu iria encontrar meu caminho

Se seguisse o pulsar do coração,

Sem desistir.

E, em um sopro refrescante,

O vento se apressou na conversa

E espalhou para os quatro cantos

Que para ser feliz basta viver,

Com as vitórias conquistadas,

Dia após dia.

E eu,

Alegre pela prosa,

Me deitei na grama fria

E brinquei com as estrelas,

Crianças de tudo…

Que me lembraram que o mais simples,

 Isso sim,

É felicidade!

Lu

A Pietà de Michelangelo

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“Madonna” bela de Michelangelo, estás naquela capela da basílica de São Pedro, e cada vez que te olho pareces mais bela. Passam-se dias, anos, séculos, e homens do mundo inteiro e de todas as épocas acorrem para te ver e tu deixas no espírito deles algo de sublime e suave. Dás a quem te admira uma sensação de felicidade: parece que tocas o âmago de toda alma humana, e este raio celeste, que parte de ti, atinge o centro imortal do homem, de todo homem, de ontem, de hoje, de sempre. Quando as tragédias do viver humano me entristecem, quando a televisão com seus programas, me humaniza mas não me eleva, quando o jornal com as suas crônicas sempre iguais me deixa melancólica, quando a dor me atormenta a alma e o corpo, olho-te e me sinto aliviada.

Há em ti algo que não morre.

(…) Hoje, ao contemplar-te, “Madonna” bela, pensava: quão sublime e divino é o efeito de uma obra de arte. Testemunha a imortalidade da alma, porque se o objeto plasmado não morre, é arte justamente por ser imortal – isto é, não passa enquanto existir – quem te fez não pode morrer. Pareceu-me então que a arte se elevasse a alturas incalculáveis e a beleza fosse, assim como a verdade e a bondade, matéria-prima do reino celeste que nos espera, e tive a impressão de que, sem saber, os verdadeiros artistas têm uma missão apostólica.

(…) Em todo caso, basta que o artista plasme na obra a sua alma. E a alma do artista, ainda que seja ateu, é imortal.
A alma é imortal porque é “una”.  Por ser “una” não pode desfazer-se, dividir-se. E aqui está, acredito, a primeira causa da obra de arte.
Se o conteúdo da filosofia é a verdade, o conteúdo da arte é a beleza. E a beleza é harmonia, o que significa “altíssima unidade”. Ora, quem saberá compor em harmonia as cores e os elementos de uma pintura senão a alma do artista, que é “una”, à imagem de Deus que a criou?

É a alma humana, reflexo do céu,  que o artista transfunde na obra,  e nesta ‘criação’, fruto do seu gênio, o artista encontra uma segunda imortalidade: a primeira em si, como todo homem nascido nesta terra; a segunda nas suas obras, por meio das quais ele se doa à humanidade no decorrer dos séculos.

Talvez o artista seja quem mais se aproxima do santo.  Porque se o santo é aquele prodígio que sabe dar Deus ao mundo, o artista, de um certo modo, doa a criatura mais bela da terra: a alma humana.

Foi isto que meditei diante de ti, “Madonna” bela de Michelangelo. E como a ti falei, a ti faço um pedido: olha os artistas, que te contemplam cada dia, com olhar materno, e sacia esta sede de beleza que o mundo sente. Manda grandes artistas, mas plasma com eles grandes almas, que, com o seu esplendor, encaminhem os homens ao mais belo dentre os filhos dos homens, o teu doce Jesus.

Chiara Lubich