Sorria!

“Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doloridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz”

Charles Chaplin

Chaplin não deseja que seja uma vida de mentira, mas que por uma imagem feliz, faça nascer em nós sentimentos de esperança e de verdadeira alegria! Momentos difíceis virão aos montes, o que não podemos é deixar de sorrir, e ver sempre o lado bom da vida, e, na minha, vejo sempre minhas amizades.

Com amigos de verdade ninguém sofre sozinho, e, pra mim, compartilhar a dor não é multiplicar, e sim fazê-la desaparecer aos poucos!


“Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Carlos Drummond de Andrade

Obrigada pela a paz revelada através do carinho da amizade!

Agradeço sempre por ter amigas como vocês no meu caminho!


Lu

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Haikais à giz colorido

“ao pé da serra

frio de outono

pés descalços”

“lágrima cruel

saudade amarga

destino: quem sabe?”

“uma gota de orvalho

escorrega da folha

beija a flor”

“o barulho do vento

relembra ao atento

o gosto da liberdade”


“sonhei com você

pena acordei

sem você do meu lado”


“Considero que o haicai é uma espécie de Incidente, de pequena prega, uma fenda insignificante numa grande superfície vazia. O haicai nao deseja agarrar nada, no entanto, há como que uma dobra sensual, o assentimento feliz a lampejos do real, a inflexoes afetivas. A consequencia rigorosa, mas também o que constitui a especialidade e a dificuldade do Haicai, da Epifania, do Incidente, é o constrangimento do nao-comentário. Extrema dificuldade (ou coragem): nao dar o sentido, um sentido; privada de todo comentário, a futilidade do INcidente se poe a nu, e assumir a futilidade é quase heróico.” (Roland Barthes, A preparacao do romance)

Estudando Barthes no mestrado, conheci a delícia que é ler Haicais, ele como fã e defensor da poesia como fonte da escrita mais verdadeira me fez ver que a simplicidade de três linhas podem trazer mais que mil palavras!

Espero que gostem das minhas experiências com Haicais! 😉

Lu

Viagem

Por vezes nos alegramos ou nos entristecemos, nos deslumbramos ou decepcionamos com a paisagem vista na estrada.

Resta-nos recordar que não foi a estrada o motivo pelo qual decidimos empreender a viagem.


Ízo

Prejuízo. E se mal me faz é por que então o bem me falta. Do vermelho que seduz mais que o verde. O proibido que dá vontade de avançar quebrando regras, reservas, porteiras e beiras.

Adrenalina ferve o sangue. E olha lá de novo o vermelho que esquenta, fomenta, alimenta. Impulsiona o azul do vento e lá eu vejo na pracinha o roxo dos Ipês. Que volta a se misturar com o verde que apazigua, tranqüiliza.

Deitada no banquinho, fico branca, fico nuvem. Nuvem de pensamento que me leva e enleva.

Me transporta ao irreal. Até que o tombo do juízo me desperta para tal. Tal qual é a vida. Tal quem sou. Sem prejuízo. E cheia de juízo.


Lice e Lu

do sentido da falta

Da falta de sentido.

Quanto mais sentido falta, mais dor se tem e menos se explica.

Quando o choro foge, a voz embarga e o coração tão pequeno fica que escapa a qualquer mão, qualquer afago. Descaso.

Sem causa, mas cheio de efeito. Ou defeitos?

Comedido pra não atrapalhar o vizinho. Pra não atrair atenção, forçar preocupação.

Escorregando. Descendo ladeira a baixo no tobogã do tempo.

Parece reverso. Controverso. Retrocesso.

Busca o ar. Pausa.  Ressaca no mar. Turbilhão evocando a fúria. A força contorcida empenhada em comportar-se.

Trapézio pro equilibrista. Êxtase do vazio. Excitação do perigo.

Normalidade tanta que dá ânsias de vômito. Pra fora toda covardia, sorriso forçado, grito mantido.

Uma certeza que nada falta mais falta. Mas passa a falta e o nada. E fica só a certeza. Até a falta de sentido aparecer de novo numa tarde de domingo.

Do sentido da falta.

Lice

[Imagem: Jackson Pollock – Lavender Mist 1950]