Sobre a esperança de preencher os vazios

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Uma paradinha para ler as notícias. Nunca me acostumo. Sempre é um arsenal de catástrofes narrada com riqueza de detalhes e me parece que hoje em dia é o mal que dá mais ibope por que bons acontecimentos dificilmente viram manchetes diárias.

O pai matou o filho e se matou. Casal de jovens namorados fugiu após ir ao cinema. O pai é suspeito de estuprar as duas filhas e por aí vai. Ando pensando que o ser humano não sabe mais para onde caminha. Perdeu-se no vazio que existe dentro de si e por não saber o que procura, foi virando um grande “lixão humano” acumulando sentimentos e valores que não prestam. Dói saber que isso é fruto de tal liberdade que todo mundo quer, mais ainda não aprendeu a usar. “Hoje coloco diante de ti o bem e o mal, a vida e a morte, escolhe…”¹

Tenho medo do vazio. Por que se não o preenchemos com algo duradouro, permanente, ele se transforma em buraco negro que vai consumindo a essência do bem em nós. Estamos diante do desafio de dar conta da vida todos os dias.  Sinto por quem não tem coragem de descobrir altos ideais e a eles dedicar-se, e vaga como zumbi por aí gastando as horas, os dias, a vida, sem convencer-se que valeu a pena ter passado por esta Terra, “pois onde estiver o teu tesouro, lá estará também teu coração”². Cria-se a ilusão de que se está feliz, satisfeito, tranqüilo, quando na verdade o que se faz é ignorar a própria verdade por que é difícil demais e não se encontra forças para revolucioná-la.  A falta de sentido na vida se tornou epidemia nos corações, mas ninguém se dá conta de que é protagonista da própria história e que ainda há um jeito.

Religião para mim nunca foi prisão ou sinônimo de restrição. Pelo contrário, é sempre sinal de esperança, nova oportunidade, “sóis” que sempre se levantam quando a noite não quer ir embora. Eu escolhi acreditar em um Deus que me dá a cor certa e a partir disso transforma o deserto em jardim; não num passe de mágica, mas por que me faz perceber que “existe um poço em algum lugar”. E se existe poço, por que não flores?  Escolhi acreditar que a prática supera em amor a teoria e que por isso cada gesto meu tem poder de trazer a vida a quem me rodeia. Foi o “meu” Deus que me ensinou a não desistir. Mas persistir, perseguir para poder me dar conta que os vazios se foram e que no lugar dele restou e abundou somente a PAZ.

¹ Dt 30,19

² Mt 6, 21

Lice

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2 comentários sobre “Sobre a esperança de preencher os vazios

  1. Um texto incrivel, Lice! Voce escreve super bem, e está super certa… as pessoas estao vazias, estao implodindo num mundo vazio, com persepcoes de uma vida falsamente realizada…

    Eu brinco sempre que é culpa do “capitalismo”, mas no fundo é um pouco mesmo… as pessoas nao se importam mais com o sentimento humano, mas com a aparência das pessoas, e isso leva, sem dúvida, ao vazio.

    Mas, cada um de nós pode encontrar esse poço no meio disso tudo… e as flores… e tentar ajudar um pouco a humanidade… ne?

    Amo…

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